sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Militância e beligerância

Durante minha infância tive uma relação de indiferença com a religião. Minha avó paterna era bastante católica (a nível de catolicismo...), e por outro lado minha mãe fez questão de me excluir das aulas de cristianismo na escola primária, mas tirando isso a minha família simplesmente não falava muito no assunto. Já flertei com o agnosticismo durante a adolescência, e hoje em dia pode-se dizer que sou um "ateu convicto", apesar de não chegar nem perto dos níveis de militância antirreligiosa que vejo por aí.

Em geral, dou meu apoio a estes movimentos. Não levo jeito pra política ou diplomacia, por isso prefiro não entrar em debates, mas gosto de ver outras pessoas comprando essa briga. O que me incomoda é ver que certos ateus exageram no sentimento antirreligioso e acabam se tornando tão "fundamentalistas" quanto seus adversários.

Isso me traz ao tema central deste post. Está rolando um bafafá nos Estados Unidos em torno de Jessica Ahlquist, uma menina que entrou na justiça por causa de uma mensagem gravada no auditório da sua escola. (Mais informações aqui e aqui.)

O cerne da questão.

Acho meio questionável a atitude da menina. A oração me parece inócua e não havia necessidade de ficar cutucando os cristãos por causa disso. Entendo que a constituição estabelece a separação entre estado e igreja, escolas públicas devem defender a liberdade religiosa, etc., mas no fundo a mensagem escrita ali é bacana. Fala de amizade, colaboração, respeito, honestidade, etc... Tem Papai do Céu no meio, é verdade, mas eu que sou ateu tenho uma reação positiva quando leio. Se omitíssemos as primeira e última linhas, a oração poderia se passar por uma mensagem 100% secular.

Bati um breve papo sobre o assunto com um amigo (que é bem mais militante no seu ateísmo, e foi quem me mostrou o artigo em primeiro lugar), e chegamos à conclusão que esse tipo de atitude é contraprodutiva. O público já acha que todo ateu é escroto e imoral e arrogante; a propagação dessa imagem só gera publicidade ruim pra nossa causa. A fé é um assunto muito delicado, e não faz sentido ficar cutucando esse ninho de vespas sem ter um bom motivo.

A oração de Cranston High School West não me parece um bom motivo. Me parece uma jogada de publicidade de uma adolescente que quer aparecer e não tem completa noção das repercussões de seus atos.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Let's Talk

DEUS.

Como é que o conceito de um "Let's Play" evoluiu de "gravação de alguém jogando um game" para "gravação do vídeo de alguém jogando um game enquanto o áudio é substituído por um lero-lero imprestável"?

Eu só quero um maldito vídeo de gameplay. Você pode me ajudar, YouTube? Por favor?

sábado, 14 de janeiro de 2012

Rapunrolados

Dizem por aí que o trailer de Enrolados, da Disney, é mentiroso e distorce o tom real do filme. Fiquei feliz ao descobrir que os boatos estavam certos!

Você não imagina o quanto estou farto do período pós-Shrek em que vivemos, onde toda animação CGI é um estrupício de piadas anacronísticas e cultura popular pra atrair o público pré-adolescente. Enrolados consegue atrair os pré-adolescentes com um pouco de marketing enganoso e algumas (ligeiramente sofríveis) trocas sarcástico-descoladas no diálogo, mas ainda assim mantém o espírito de um clássico e encantador conto-de-fadas da Disney. Nesse aspecto, ele se saiu ainda melhor do que A Princesa e o Sapo, um filme que me trouxe tristes lembranças da obra de Don Bluth nos anos 90 (animação fantástica, mas números musicais gratuitos e uma trama meio sem pé nem cabeça).

Enrolados não exagera na fórmula Disney, usando números musicais esparsos e relevantes de modo que a história consegue brilhar por seus próprios méritos. Fiquei impressionado com a profundidade dos personagens retratados -- Mother Gothel é uma vilã genuinamente intrigante e Flynn evolui muito durante o filme, mas acima de tudo o conto trata da viagem de Rapunzel rumo à maioridade, lidando com elementos muito sérios e maduros sem martelar suas lições de moral na cabeça de ninguém. É um grande passo rumo à qualidade narrativa que estou acostumado a ver nos filmes da Pixar, e imagino que a influência de John Lasseter foi muito importante pra que isso acontecesse.

É claro que, por se tratar da Disney, o que importa mesmo é o espetáculo visual. As vistas do filme são estonteantes. As cores! Os movimentos sutis na folhagem! O fluir do cabelo, cintilando à luz do sol! Não tenho palavras suficientes pra elogiar isso tudo. Pretendo assistir mais algumas vezes só pra poder apreciar a arte esplendorosa que está por toda parte. As animações dos personagens deixam um pouco a desejar, sofrendo daquela influência maligna de Shrek/Madagascar em que todo mundo pula de um lado pro outro que nem esquilos cafeinados... mas agora também estou sendo chato e procurando motivos pra reclamar.

Me arrependo de ter esperado tanto pra assistir. É exatamente o que estive desejando por mais de uma década. Dito isso, sempre vai existir um lugar especial no meu coração para a animação tradicional. Se a Disney conseguisse casar a animação de A Princesa e o Sapo com a narrativa de Enrolados eu ficaria extático. Eles podem até repetir a artimanha de marketing pra garantir que o filme tenha o merecido sucesso. Afinal, uma obra de arte vale um punhado de mentirinhas brancas.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Sou incapaz de obedecer

(Avião aterrissa e prossegue lentamente em direção ao terminal)
Comissário: "Para sua segurança, por favor permaneça sentado até que a aeronave esteja completamente par--"
(Todos levantam)
Comissário, impassível: "--rada. Lembramos que todos os aparelhos celulares devem permanecer desligados até sua chegada no saguão do aer--"
(Sinfonia de toques, bipes, e campainhas que acompanha os celulares sendo ligados e mensagens de texto sendo recebidas)
Comissário, demonstrando um autocontrole admirável: "--roporto. Obrigado."
(Todos começam a vasculhar os compartimentos de bagagens para pegar suas coisas. O avião ainda nem terminou de estacionar.)
eu: (suspiro pesado)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Que eu descanse em paz

Um dia desses, vou falsificar meu próprio obituário. Quem sabe isso seja suficiente pra que minha família me deixe em paz.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Obsessão

...E eu preocupado com meu hábito de comer em frente ao computador.

Meu colega de quarto escova os dentes em frente ao computador.

domingo, 20 de novembro de 2011

Balanga balanga balanga

Peguei Skyward Sword para testar hoje, e posso afirmar que é o pior jogo jamais expelido pelo cu da Nintendo. Quero minha tarde de volta.

O pouco de história que vi foi a mesma caca japonesa de sempre com as profecias e os destinos e o herói que começa o jogo sendo acordado por uma namorada irritadiça. É bem pasteurizado, mas poderia ter sido suportável se pelo menos empregasse um pouco de bom-senso na sua jogabilidade. Nas suas condições atuais, fico me engalfinhando com o Wii Remote a cada cinco segundos e essa porcaria não vale tanto esforço.

Foda-se Zelda. Parei de vez com essa série.