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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Apartheid digital

O que mais me irrita ao receber pedidos de suporte técnico é a hipocrisia casual com que esses pedidos são feitos. Cinco-dez anos atrás, o pessoal soltava frases do tipo:

"Meu filho é um nerd. Meu Deus, que decepção."
"Você fica o dia inteiro apertando esses botões! Que agonia!"
"Quando crescer vou ser médico que nem o papai, não... isso que você faz."

Agora que os eletrônicos estão na moda, a conversa é outra:

"Ai, não consigo botar a Internet pra funcionar."
"Quero fazer um blog pros meus gatos."
"Preciso salvar um documento do Word no pen-drive. Me ajuda?"

...Sim, eu ajudo. Eu ajudo com toda a má-vontade do mundo, seus filhos-da-puta.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Sou incapaz de obedecer

(Avião aterrissa e prossegue lentamente em direção ao terminal)
Comissário: "Para sua segurança, por favor permaneça sentado até que a aeronave esteja completamente par--"
(Todos levantam)
Comissário, impassível: "--rada. Lembramos que todos os aparelhos celulares devem permanecer desligados até sua chegada no saguão do aer--"
(Sinfonia de toques, bipes, e campainhas que acompanha os celulares sendo ligados e mensagens de texto sendo recebidas)
Comissário, demonstrando um autocontrole admirável: "--roporto. Obrigado."
(Todos começam a vasculhar os compartimentos de bagagens para pegar suas coisas. O avião ainda nem terminou de estacionar.)
eu: (suspiro pesado)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Para bellum

"Oh, não! Um albergue na minha rua! O que será das crianças? O que será do comércio? O que será das minhas unhas quando eu sair da manicure e um bando de pobres ficar olhando pra elas?"
Esse país tá precisando de uma boa guerra civil pra nego deixar de ser fresco e babaca. (Pode ser um meteoro também — não sou exigente — mas acho que a guerra civil é mais fácil de conseguir.)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Honestidade não compensa

No início de 2008, desesperado para sair do quarto que eu alugava na casa de uma velha maluca, uni forças com meu amigo Savelli para encontrar um apartamento que pudéssemos dividir. Acabamos encontrando um ótimo três-quartos por um bom preço que fica do lado da faculdade; uma verdadeira dádiva divina. Eu e o Savelli assinamos o contrato com a proprietária, com a intenção de arranjar um terceiro amigo para dividir o espaço e as contas assim que possível. No desespero de conseguir fechar o negócio (quem já procurou sabe como é insano o mercado de imóveis no RJ), acabamos omitindo esta intenção da proprietária, e acabou que o contrato ficou apenas no nome de dois inquilinos: eu e o Savelli.

Encontrar o terceiro inquilino, na verdade, foi menos uma questão de procurar e mais uma questão de selecionar os candidatos. No final, aceitamos um amigo de um amigo, chamado Nader, que mudou-se na primeira semana de ocupação do nosso novo lar. Descobrimos, pouco tempo depois, que o porteiro do prédio tem uma certa intimidade com nossa locadora e (sem saber que nossa situação era um tanto quanto "extra-oficial") já tinha contado a ela sobre os três rapazes simpaticíssimos e bem-comportados que estavam morando ali. Aguardamos ansiosamente para ver se ela se manifestaria, mas nada aconteceu e demos o assunto como encerrado.

Será que tínhamos encontrado uma Dondoca Zona Sul™ razoável? Era bom demais pra ser verdade.

Passaram-se dois anos, e os planos mudaram. O Savelli comprou um apartamento e pretende sair assim que a construção do prédio terminar. Enquanto isso, um amigo nosso chamado Fabrício está na mesma situação em que eu me encontrava (que, na verdade, é a mesma situação enfrentada por todo e qualquer estudante universitário no Rio de Janeiro). A previsão é que o Savelli saia em poucos meses, portanto decidimos unir o útil ao agradável e convidar o Fabrício a morar conosco durante esse tempo; seria meio apertado, mas estamos todos dispostos a conviver com isso para ajudar um amigo em necessidade (eu, Savelli, e Nader) e sair do quarto alugado com velhas malucas (Fabrício). Querendo evitar mais situações embaraçosas, decidimos conversar abertamente sobre essa decisão com a proprietária.

Péssima idéia.

Ela quer agora encerrar o contrato atual (seis meses antes do previsto) e fazer um novo. Diz ela que o motivo é corrigir esta discrepância e levar em conta o número de ocupantes no apartamento (uma linha de raciocínio bastante popular entre as Dondocas Zona Sul™, da qual eu discordo veementemente), mas está claro que o que ela quer mesmo é reajustar o valor do aluguel antes da hora. Tendo em vista o mercado imobiliário atual, isso corresponde a um aumento de singelos sessenta por cento no valor do aluguel.

Toda a conversa, até o momento, foi calma e civilizada. Ainda assim, fico puto com a mesquinharia exibida por uma pessoa que, até então, eu considerava razoável e pouco disposta a aproveitar-se da necessidade alheia.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Sr. Luchini, no escritório, com o grampeador

Será que não existe uma palavra grande e requintada para descrever "a vontade de assassinar o seu chefe"?

terça-feira, 20 de julho de 2010

A triste história da estória

Ao ler o meu último post, o Vinícius estranhou o meu uso do termo estória e questionou sua validade. O que me disseram nos idos tempos do ensino médio é que os termos estória e história são equivalentes ao inglês story e history, e foi essa regra que eu adotei apesar de achar que — pun not intended — a história estava mal contada.

...Mais uma vez, descubro que a Tia Loló me ludibriou. Essa distinção nunca existiu antes do século XX, quando um brasileiro louco que não tinha nada pra fazer decidiu criar esta homofonia e deixar a língua portuguesa ainda mais entrópica do que ela já era. Os interessados podem ler a explicação aqui, e os preguiçosos podem ler um resumo aqui.

domingo, 21 de março de 2010

A escada e o espelho

Vamos combinar uma coisa. Em se tratando de baboseiras espirituais, existem duas opções: acreditar e não acreditar.

Você não pode ficar em cima do muro.

Não é aceitável uma pessoa dizer que não é supersticiosa e depois dar a volta numa escada "só pra garantir", assim como não é aceitável uma pessoa diversificar seu portfolio de investimentos espirituais com oferendas a Buda, Ganesh, Oxalá, e Apsu. Não é assim que funciona.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Odeio baratas

Odeio baratas mais do que qualquer coisa no mundo.

Odeio baratas mais do que formigas. Odeio baratas mais do que mosquitos. Odeio baratas ainda mais do que advogados e políticos.

É minha missão livrar a terra de sua presença, nem que eu tenha que emagá-las uma por uma.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Bullied by the government

Não sei se alguém ainda se lembra disso, mas em abril de 2008 um juiz gaúcho conseguiu fazer com que o jogo Bully fosse banido em todo o Brasil. Ninguém deu muita bola a esse assunto, e todos continuaram a vender, comprar, e jogar sem nenhum problema.

...Todos, isto é, exceto a Valve. Quando fui procurar o jogo na loja do Steam, eis o que descobri:


Observe que não há um preço na coluna à direita, e não é possível comprar o jogo. Pedi a um amigo meu que mora em Winnipeg, no Canadá, para repetir a busca e me mandar um screenshot do resultado:


Incrível. Não só estou impossibilitado de comprar o jogo como não posso ver o seu trailer. Nunca imaginei que uma gigante multinacional fosse se rebaixar até este ponto e atender as demandas de um palhaço que só queria chamar atenção.