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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Apartheid digital

O que mais me irrita ao receber pedidos de suporte técnico é a hipocrisia casual com que esses pedidos são feitos. Cinco-dez anos atrás, o pessoal soltava frases do tipo:

"Meu filho é um nerd. Meu Deus, que decepção."
"Você fica o dia inteiro apertando esses botões! Que agonia!"
"Quando crescer vou ser médico que nem o papai, não... isso que você faz."

Agora que os eletrônicos estão na moda, a conversa é outra:

"Ai, não consigo botar a Internet pra funcionar."
"Quero fazer um blog pros meus gatos."
"Preciso salvar um documento do Word no pen-drive. Me ajuda?"

...Sim, eu ajudo. Eu ajudo com toda a má-vontade do mundo, seus filhos-da-puta.

terça-feira, 22 de maio de 2012

dlife(t)/dt <= 0

Se tivesse que resumir tudo que aprendi nos últimos seis anos em uma frase, seria assim:

Toda mudança na vida é pra pior.

Todas as decisões que já tomei foram erradas e todas as tentativas de melhorar minha vida terminaram em decepção. Eu desisto. Daqui pra frente, vou mergulhar na apatia e ficar esperando as coisas seguirem o seu rumo.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Sou incapaz de obedecer

(Avião aterrissa e prossegue lentamente em direção ao terminal)
Comissário: "Para sua segurança, por favor permaneça sentado até que a aeronave esteja completamente par--"
(Todos levantam)
Comissário, impassível: "--rada. Lembramos que todos os aparelhos celulares devem permanecer desligados até sua chegada no saguão do aer--"
(Sinfonia de toques, bipes, e campainhas que acompanha os celulares sendo ligados e mensagens de texto sendo recebidas)
Comissário, demonstrando um autocontrole admirável: "--roporto. Obrigado."
(Todos começam a vasculhar os compartimentos de bagagens para pegar suas coisas. O avião ainda nem terminou de estacionar.)
eu: (suspiro pesado)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Que eu descanse em paz

Um dia desses, vou falsificar meu próprio obituário. Quem sabe isso seja suficiente pra que minha família me deixe em paz.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Obsessão

...E eu preocupado com meu hábito de comer em frente ao computador.

Meu colega de quarto escova os dentes em frente ao computador.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Honestidade não compensa

No início de 2008, desesperado para sair do quarto que eu alugava na casa de uma velha maluca, uni forças com meu amigo Savelli para encontrar um apartamento que pudéssemos dividir. Acabamos encontrando um ótimo três-quartos por um bom preço que fica do lado da faculdade; uma verdadeira dádiva divina. Eu e o Savelli assinamos o contrato com a proprietária, com a intenção de arranjar um terceiro amigo para dividir o espaço e as contas assim que possível. No desespero de conseguir fechar o negócio (quem já procurou sabe como é insano o mercado de imóveis no RJ), acabamos omitindo esta intenção da proprietária, e acabou que o contrato ficou apenas no nome de dois inquilinos: eu e o Savelli.

Encontrar o terceiro inquilino, na verdade, foi menos uma questão de procurar e mais uma questão de selecionar os candidatos. No final, aceitamos um amigo de um amigo, chamado Nader, que mudou-se na primeira semana de ocupação do nosso novo lar. Descobrimos, pouco tempo depois, que o porteiro do prédio tem uma certa intimidade com nossa locadora e (sem saber que nossa situação era um tanto quanto "extra-oficial") já tinha contado a ela sobre os três rapazes simpaticíssimos e bem-comportados que estavam morando ali. Aguardamos ansiosamente para ver se ela se manifestaria, mas nada aconteceu e demos o assunto como encerrado.

Será que tínhamos encontrado uma Dondoca Zona Sul™ razoável? Era bom demais pra ser verdade.

Passaram-se dois anos, e os planos mudaram. O Savelli comprou um apartamento e pretende sair assim que a construção do prédio terminar. Enquanto isso, um amigo nosso chamado Fabrício está na mesma situação em que eu me encontrava (que, na verdade, é a mesma situação enfrentada por todo e qualquer estudante universitário no Rio de Janeiro). A previsão é que o Savelli saia em poucos meses, portanto decidimos unir o útil ao agradável e convidar o Fabrício a morar conosco durante esse tempo; seria meio apertado, mas estamos todos dispostos a conviver com isso para ajudar um amigo em necessidade (eu, Savelli, e Nader) e sair do quarto alugado com velhas malucas (Fabrício). Querendo evitar mais situações embaraçosas, decidimos conversar abertamente sobre essa decisão com a proprietária.

Péssima idéia.

Ela quer agora encerrar o contrato atual (seis meses antes do previsto) e fazer um novo. Diz ela que o motivo é corrigir esta discrepância e levar em conta o número de ocupantes no apartamento (uma linha de raciocínio bastante popular entre as Dondocas Zona Sul™, da qual eu discordo veementemente), mas está claro que o que ela quer mesmo é reajustar o valor do aluguel antes da hora. Tendo em vista o mercado imobiliário atual, isso corresponde a um aumento de singelos sessenta por cento no valor do aluguel.

Toda a conversa, até o momento, foi calma e civilizada. Ainda assim, fico puto com a mesquinharia exibida por uma pessoa que, até então, eu considerava razoável e pouco disposta a aproveitar-se da necessidade alheia.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

As pessoas mais interessantes do mundo

Acho difícil acreditar que alguém possa levar uma vida tão repleta de acontecimentos que ele precise passar uma hora por dia no telefone batendo papo com seus pais/namorada.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Almoço grátis!

Fui selecionado em um concurso no qual não me inscrevi e ganhei um ingresso para um country club do qual nunca ouvi falar!

É que nem Luigi's Mansion, só que em vez de combater fantasmas posso ser assaltado, estuprado, e assassinado, não necessariamente nessa ordem!

Uau, pode botar meu nome na lista!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Sr. Luchini, no escritório, com o grampeador

Será que não existe uma palavra grande e requintada para descrever "a vontade de assassinar o seu chefe"?

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A vida a bordo de uma megáptera aérea

Esta noite tive um sonho bem interessante, e (na falta de assunto para o blog) hoje quero me divertir relatando-o para vocês. Curiosamente, eu não era um "personagem" no sonho... que acabou desenvolvendo uma narrativa mais simples e concreta do que as viagens psiquedélicas que geralmente assombram o meu subconsciente.

A história se passa em um mundo onde os seres humanos desenvolveram uma relação de benefício mútuo com uma espécie de animal voador cujo corpo contém várias câmaras habitáveis. Essas criaturas têm a aparência e o tamanho de baleias azuis que flutuam pelo ar como se estivessem nadando, e sua presença é vista como um aspecto peculiar -- mas não estarrecedor -- do dia-a-dia. As pessoas não se espantam ao ver esses cetáceos circulando entre os arranha-céus das metrópoles, mas o acontecimento é suficientemente raro para arrancar "ooohs" e "aaahs" dos curiosos que foram atraídos às janelas e varandas. Sua tripla função como moradia, transporte, e animal de estimação envolve vários cuidados que poucas pessoas conhecem, entendem, ou estão dispostas a aprender. O sonho apresentou-se como um seriado de TV, com vários episódios que exploravam a vida a bordo de uma dessas aeronaves orgânicas.

O primeiro episódio apresentou o ambiente no interior da baleia. Era quase impossível perceber que se tratava de uma câmara dentro de um ser vivo! As paredes eram perfeitamente retas e sólidas, e o espaço interno era decorado e mobiliado como se fosse uma residência luxuosa. Várias aberturas na pele do animal tinham sido moldadas na forma de janelas, o que mantinha todas salas iluminadas e arejadas. Nove pessoas moravam ali (curiosamente, elas refletiam as nove classes do Team Fortress 2), com um casal de adultos e sete crianças/adolescentes. Os dois adultos eram os mentores do grupo, e desempenhavam os papéis de "mãe" e "pai" da garotada (apesar de estes não serem seus filhos propriamente ditos). O ambiente era uma mistura de família, escola, e orfanato, onde os jovens poderiam crescer e aprender como era a profissão de um tripulante dos cetáceos aéreos.

Seguiram-se várias vinhetas do dia-a-dia, mas eu só lembro de algumas delas:
  • O Sniper era o mais velho, e por isso era o encarregado de coordenar o grupo na ausência dos pais. Ele fazia uma espécie de "chamada" todo dia pela manhã, e reunia o resto das crianças na sala de estar para apresentar-lhes uma aula sobre algum assunto específico. Ele era ajudado por uma TV que sintonizava um canal educacional, criado especificamente para este tipo de home schooling.
  • Como a aeronave passa a maior parte do tempo acima das nuvens, suas câmaras são extremamente bem-iluminadas. Isso favorece o crescimento de uma planta chamada venomous tentacula, cujos cipós brancos e espinhentos carregam um veneno que provoca reações alérgicas extremamente doloridas. Era trabalho do Pyro controlar a proliferação dessas pragas, usando um instrumento longo e incandescente com o qual ele queimava os brotos antes que eles se desenvolvessem.
  • O corpo da baleia possui um sistema de drenagem, que é aproveitado pelos seus habitantes humanos para servir de esgoto, encanamento, e distribuição de água. Periodicamente, o animal desce até o nível do mar para beber água e eliminar suas várias excreções (o que é bastante conveniente; imagino que as megápteras voadoras seriam bem menos populares se sua presença fosse associada a freqüentes chuvas de dejetos). É nessa hora que o organismo está vulnerável a uma espécie de parasita parecido com uma lampréia gigante, que se afixa nos poros e injeta seus ovos no sistema vascular da baleia. O Engenheiro e o Spy estavam aprendendo a eliminar as larvas que circulam pelo corpo da sua aeronave orgânica, usando uma aparelho que atraía os bichos e identificava seu estágio de desenvolvimento. O Engenheiro precisava de uma luva de borracha em sua mão direita para se proteger do veneno das larvas maiores, que provoca inchaço e coceira.
  • Houve também momentos de conflito... Ao construir o alojamento nas câmaras internas da baleia, o Soldier (que era o capitão e "pai" da família) acabou deixando várias brechas no corpo dela. Seu desleixe criou problemas quando eles atravessaram um enxame de insetos/pássaros parecidos com aviõezinhos de papel, que poderiam invadir o espaço interno e atrapalhar a vida da tripulação e de seu hospedeiro. O episódio foi bem tenso, com os habitantes correndo para tampar as brechas enquanto a baleia tentava se esquivar entre as nuvens de insetos. Quando a crise passou, o Soldier pediu desculpas a todos e prometeu que isso não se repetiria.
  • No episódio final, os dois aprendizes mais velhos decidem abandonar a família para trilhar seus próprios caminhos. O Sniper junta-se a uma nova tripulação, que não tinha experiência no tratamento de baleias voadoras e por isso ainda não adquirira um desses animais, enquanto o Demoman simplesmente decide ver para onde a vida vai levá-lo. Essa cena foi definitivamente influenciada pelo Toy Story 3, com uma família desejando sorte aos membros que se vão enquanto lamenta a sua partida.
E foi aí que eu acordei. Realmente gostei muito deste sonho! Apesar de ter deixado várias questões em aberto (Quem era a "mãe" da família, já que não existem mulheres dentre os personagens do TF2? Como a tripulação se sustentava? Onde eles arranjavam comida e dinheiro? Qual o nível de controle que eles tinham sobre o movimento da baleia? Aliás, como é que esse bicho fazia para voar?), ele apresentou uma história interessante e estruturada, muito melhor do que qualquer outro sonho que eu já tive.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Retrospectiva 2009

Alguns dias atrasado, mas lá vai...

2008 foi um ano terrível. Fiquei com depressão, sem lugar fixo pra morar, e extremamente frustrado com as vidas acadêmica e profissional. No início de 2009 eu me sentia no fundo do poço, mas ainda restava um pouco de esperança: afinal, não dava pra descer mais.

Não vou negar que devo muito à psiquiatria moderna e suas fabulosas pílulas anti-depressivas. É meio assustador pensar que o cérebro pode ser manipulado de tal maneira com apenas alguns miligramas de química... O tratamento demorou alguns meses para surtir efeito, e me deixou muito, muito cansado. Espero poder largar os remédios logo; já estou de saco cheio dessa sonolência constante.

Uma grande mudança que ocorreu esse ano foi a "descoberta" da amizade. Nunca encontrei pessoas cuja companhia realmente me desse prazer, e acabei virando um ermitão. No Tecgraf (empresa onde trabalho) encontrei uma turminha do barulho que acabou virando meu primeiro grupo de amigos de verdade. Com eles, estou fazendo várias coisas que nunca (ou pouco) fazia antes: cinema, teatro, visitas, fotos, risadas...

Foi graças ao Tecgraf também que encontrei um lar. Minhas primeiras experiências morando fora de casa foram péssimas, mas em maio consegui alugar um apartamento perto do trabalho com dois colegas que se revelaram ótimos companheiros. Depois de morar com uma família surtada, playboys metidos, uma república de bagunceiros, e velhas carentes... posso dizer que finalmente me sinto em casa. É muito bom não ter mais que passar os fins-de-semana no escritório mergulhando as amarguras na Internet.

Descobri também a minha paixão pelos musicais. O engraçado é que sempre adorei Little Shop of Horrors, mas nunca me passou pela cabeça que existisse um gênero de filmes e peças de teatro assim.

Falando em musicais... Em abril, fui sozinho assistir Avenida Q (um musical pessimista sobre jovens adultos fracassados e frustrados com a vida). Em setembro, fui assistir Hairspray (um musical otimista sobre a felicidade de superar seus limites) acompanhado de vários amigos. Esses dois eventos ilustram bem como minha vida melhorou durante o ano.

Quanto a 2010 tenho apenas três resoluções:
  • Encontrar um rumo para minha vida. Meu antigo sonho de ser um game designer desmoronou sob o peso de tantas frustrações, e agora estou meio perdido. Por enquanto estou curtindo a vida e a felicidade, mas sei que não vai durar pra sempre.
  • Aprender a cozinhar!
  • Manter contato com os amigos, caso o grupo venha a se separar.
Pode parecer que tenho uma visão pessismista do ano que vem, mas é preciso lembrar que tudo na vida dura pouco.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Família

...Conviver uma semana por ano já é mais do que suficiente.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Noite feliz...

...em que recebo cartões de Natal vindos de websites nos quais cadastrei-me há zilênios e cuja existência eu tinha esquecido. O_o