domingo, 30 de maio de 2010

Super Mario e a Sociedade da Terra Plana

Certa vez eu disse que queria meu Miyamoto de volta. Hoje em dia... eu gostaria que ele se aposentasse, porque o cara já não tem mais o mesmo talento.

Fiquei meio decepcionado com Super Mario Galaxy. O projeto tinha muito potencial, mas acabou envenenado por péssimas decisões de design e seria melhor se partes de seu conteúdo tivessem sido cortadas (uma triste tendência que já observei antes). No final, contudo, acabei gostando de sua temática fantástico-espacial, sua excelente trilha sonora, e sua exploração da mitologia/cosmologia do Marioverso

Fiquei surpreso ao descobrir que estas características estavam presentes apesar dos protestos de Miyamoto, e não por causa da sua contribuição. Fiquei aborrecido ao descobrir que no final ele conseguiu ganhar a discussão, e Super Mario Galaxy 2 acabou virando uma sombra de seu predecessor.

Como se Galaxy fosse um erro vergonhoso a ser esquecido, Galaxy 2 começa com um retcon: O "Star Festival" do primeiro jogo nunca aconteceu (ou está acontecendo de novo, o que insinuaria que 100 anos se passaram), Bowser dá as caras, e Mario é catapultado no espaço sem nenhum tipo de explicação. Veja bem, eu não espero ver uma trama profunda num jogo de Mario, mas o Reino dos Cogumelos já existe, na qualidade de mundo fictício, há quase trinta anos. É legal ver pequenos sinais de continuidade entre os jogos, mas o criador do Mario defende uma completa estagnação da série e dos seus personagens.

A propósito, quando eu disse "catapultado no espaço", eu quis dizer "catapultado nas fases voadoras de Super Mario 64". Vê-se muito pouco espaço neste jogo que ostensivamente trata de exploração galática. As bizarras formas planetárias de Galaxy (e suas contorções gravitacionais) se foram, substituídas por... um bando de plataformas no céu. Existem alguns planetas com verdadeiros campos de gravidade, mas eles são exceções. Em geral, o chão é simplesmente chão -- e não dá pra saber se se trata de uma plataforma ou de um planeta a menos que você empurre o Mario borda afora. Se ele aterrissar do outro lado, você acaba de encontrar uma nova área pra explorar! Se ele despencar rumo ao grande vazio, você acaba de desperdiçar um 1-up.

Por quê, Nintendo? Por que desenvolver esta maravilhosa engine de física se ela não vai ser usada? Acho interessante notar que, em Galaxy 2, o primeiríssimo planeta em que Mario aterrissa tem a forma de um elipsóide, mas uma cerca ao redor do equador impede que ele dê a volta e explore livremente. "Sei o que você está pensando", ela parece dizer, "e acho bom desistir. Não é assim que as coisas funcionam neste jogo."

...Pelo menos, a trilha sonora continua excelente.

2 comentários:

Vinícius disse...

Caraca, o jogo é tão revoltante assim???

Pedro Luchini disse...

Eu fico incomodado com jogos (outras coisas também, mas especialmente jogos) que têm potencial e desperdiçam essa oportunidade.

Por isso fico tão revoltado com a série Mario Galaxy... Tem um potencial astronômico (ba dum psh!), mas ele não é posto em prática...