quarta-feira, 13 de abril de 2011

Honestidade não compensa

No início de 2008, desesperado para sair do quarto que eu alugava na casa de uma velha maluca, uni forças com meu amigo Savelli para encontrar um apartamento que pudéssemos dividir. Acabamos encontrando um ótimo três-quartos por um bom preço que fica do lado da faculdade; uma verdadeira dádiva divina. Eu e o Savelli assinamos o contrato com a proprietária, com a intenção de arranjar um terceiro amigo para dividir o espaço e as contas assim que possível. No desespero de conseguir fechar o negócio (quem já procurou sabe como é insano o mercado de imóveis no RJ), acabamos omitindo esta intenção da proprietária, e acabou que o contrato ficou apenas no nome de dois inquilinos: eu e o Savelli.

Encontrar o terceiro inquilino, na verdade, foi menos uma questão de procurar e mais uma questão de selecionar os candidatos. No final, aceitamos um amigo de um amigo, chamado Nader, que mudou-se na primeira semana de ocupação do nosso novo lar. Descobrimos, pouco tempo depois, que o porteiro do prédio tem uma certa intimidade com nossa locadora e (sem saber que nossa situação era um tanto quanto "extra-oficial") já tinha contado a ela sobre os três rapazes simpaticíssimos e bem-comportados que estavam morando ali. Aguardamos ansiosamente para ver se ela se manifestaria, mas nada aconteceu e demos o assunto como encerrado.

Será que tínhamos encontrado uma Dondoca Zona Sul™ razoável? Era bom demais pra ser verdade.

Passaram-se dois anos, e os planos mudaram. O Savelli comprou um apartamento e pretende sair assim que a construção do prédio terminar. Enquanto isso, um amigo nosso chamado Fabrício está na mesma situação em que eu me encontrava (que, na verdade, é a mesma situação enfrentada por todo e qualquer estudante universitário no Rio de Janeiro). A previsão é que o Savelli saia em poucos meses, portanto decidimos unir o útil ao agradável e convidar o Fabrício a morar conosco durante esse tempo; seria meio apertado, mas estamos todos dispostos a conviver com isso para ajudar um amigo em necessidade (eu, Savelli, e Nader) e sair do quarto alugado com velhas malucas (Fabrício). Querendo evitar mais situações embaraçosas, decidimos conversar abertamente sobre essa decisão com a proprietária.

Péssima idéia.

Ela quer agora encerrar o contrato atual (seis meses antes do previsto) e fazer um novo. Diz ela que o motivo é corrigir esta discrepância e levar em conta o número de ocupantes no apartamento (uma linha de raciocínio bastante popular entre as Dondocas Zona Sul™, da qual eu discordo veementemente), mas está claro que o que ela quer mesmo é reajustar o valor do aluguel antes da hora. Tendo em vista o mercado imobiliário atual, isso corresponde a um aumento de singelos sessenta por cento no valor do aluguel.

Toda a conversa, até o momento, foi calma e civilizada. Ainda assim, fico puto com a mesquinharia exibida por uma pessoa que, até então, eu considerava razoável e pouco disposta a aproveitar-se da necessidade alheia.