sexta-feira, 23 de julho de 2010

Sr. Luchini, no escritório, com o grampeador

Será que não existe uma palavra grande e requintada para descrever "a vontade de assassinar o seu chefe"?

terça-feira, 20 de julho de 2010

A triste história da estória

Ao ler o meu último post, o Vinícius estranhou o meu uso do termo estória e questionou sua validade. O que me disseram nos idos tempos do ensino médio é que os termos estória e história são equivalentes ao inglês story e history, e foi essa regra que eu adotei apesar de achar que — pun not intended — a história estava mal contada.

...Mais uma vez, descubro que a Tia Loló me ludibriou. Essa distinção nunca existiu antes do século XX, quando um brasileiro louco que não tinha nada pra fazer decidiu criar esta homofonia e deixar a língua portuguesa ainda mais entrópica do que ela já era. Os interessados podem ler a explicação aqui, e os preguiçosos podem ler um resumo aqui.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A vida a bordo de uma megáptera aérea

Esta noite tive um sonho bem interessante, e (na falta de assunto para o blog) hoje quero me divertir relatando-o para vocês. Curiosamente, eu não era um "personagem" no sonho... que acabou desenvolvendo uma narrativa mais simples e concreta do que as viagens psiquedélicas que geralmente assombram o meu subconsciente.

A história se passa em um mundo onde os seres humanos desenvolveram uma relação de benefício mútuo com uma espécie de animal voador cujo corpo contém várias câmaras habitáveis. Essas criaturas têm a aparência e o tamanho de baleias azuis que flutuam pelo ar como se estivessem nadando, e sua presença é vista como um aspecto peculiar -- mas não estarrecedor -- do dia-a-dia. As pessoas não se espantam ao ver esses cetáceos circulando entre os arranha-céus das metrópoles, mas o acontecimento é suficientemente raro para arrancar "ooohs" e "aaahs" dos curiosos que foram atraídos às janelas e varandas. Sua tripla função como moradia, transporte, e animal de estimação envolve vários cuidados que poucas pessoas conhecem, entendem, ou estão dispostas a aprender. O sonho apresentou-se como um seriado de TV, com vários episódios que exploravam a vida a bordo de uma dessas aeronaves orgânicas.

O primeiro episódio apresentou o ambiente no interior da baleia. Era quase impossível perceber que se tratava de uma câmara dentro de um ser vivo! As paredes eram perfeitamente retas e sólidas, e o espaço interno era decorado e mobiliado como se fosse uma residência luxuosa. Várias aberturas na pele do animal tinham sido moldadas na forma de janelas, o que mantinha todas salas iluminadas e arejadas. Nove pessoas moravam ali (curiosamente, elas refletiam as nove classes do Team Fortress 2), com um casal de adultos e sete crianças/adolescentes. Os dois adultos eram os mentores do grupo, e desempenhavam os papéis de "mãe" e "pai" da garotada (apesar de estes não serem seus filhos propriamente ditos). O ambiente era uma mistura de família, escola, e orfanato, onde os jovens poderiam crescer e aprender como era a profissão de um tripulante dos cetáceos aéreos.

Seguiram-se várias vinhetas do dia-a-dia, mas eu só lembro de algumas delas:
  • O Sniper era o mais velho, e por isso era o encarregado de coordenar o grupo na ausência dos pais. Ele fazia uma espécie de "chamada" todo dia pela manhã, e reunia o resto das crianças na sala de estar para apresentar-lhes uma aula sobre algum assunto específico. Ele era ajudado por uma TV que sintonizava um canal educacional, criado especificamente para este tipo de home schooling.
  • Como a aeronave passa a maior parte do tempo acima das nuvens, suas câmaras são extremamente bem-iluminadas. Isso favorece o crescimento de uma planta chamada venomous tentacula, cujos cipós brancos e espinhentos carregam um veneno que provoca reações alérgicas extremamente doloridas. Era trabalho do Pyro controlar a proliferação dessas pragas, usando um instrumento longo e incandescente com o qual ele queimava os brotos antes que eles se desenvolvessem.
  • O corpo da baleia possui um sistema de drenagem, que é aproveitado pelos seus habitantes humanos para servir de esgoto, encanamento, e distribuição de água. Periodicamente, o animal desce até o nível do mar para beber água e eliminar suas várias excreções (o que é bastante conveniente; imagino que as megápteras voadoras seriam bem menos populares se sua presença fosse associada a freqüentes chuvas de dejetos). É nessa hora que o organismo está vulnerável a uma espécie de parasita parecido com uma lampréia gigante, que se afixa nos poros e injeta seus ovos no sistema vascular da baleia. O Engenheiro e o Spy estavam aprendendo a eliminar as larvas que circulam pelo corpo da sua aeronave orgânica, usando uma aparelho que atraía os bichos e identificava seu estágio de desenvolvimento. O Engenheiro precisava de uma luva de borracha em sua mão direita para se proteger do veneno das larvas maiores, que provoca inchaço e coceira.
  • Houve também momentos de conflito... Ao construir o alojamento nas câmaras internas da baleia, o Soldier (que era o capitão e "pai" da família) acabou deixando várias brechas no corpo dela. Seu desleixe criou problemas quando eles atravessaram um enxame de insetos/pássaros parecidos com aviõezinhos de papel, que poderiam invadir o espaço interno e atrapalhar a vida da tripulação e de seu hospedeiro. O episódio foi bem tenso, com os habitantes correndo para tampar as brechas enquanto a baleia tentava se esquivar entre as nuvens de insetos. Quando a crise passou, o Soldier pediu desculpas a todos e prometeu que isso não se repetiria.
  • No episódio final, os dois aprendizes mais velhos decidem abandonar a família para trilhar seus próprios caminhos. O Sniper junta-se a uma nova tripulação, que não tinha experiência no tratamento de baleias voadoras e por isso ainda não adquirira um desses animais, enquanto o Demoman simplesmente decide ver para onde a vida vai levá-lo. Essa cena foi definitivamente influenciada pelo Toy Story 3, com uma família desejando sorte aos membros que se vão enquanto lamenta a sua partida.
E foi aí que eu acordei. Realmente gostei muito deste sonho! Apesar de ter deixado várias questões em aberto (Quem era a "mãe" da família, já que não existem mulheres dentre os personagens do TF2? Como a tripulação se sustentava? Onde eles arranjavam comida e dinheiro? Qual o nível de controle que eles tinham sobre o movimento da baleia? Aliás, como é que esse bicho fazia para voar?), ele apresentou uma história interessante e estruturada, muito melhor do que qualquer outro sonho que eu já tive.